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A morte interrompida de Saramago

A morte interrompida de Saramago

0 Comentários 🕔13.set 2017

A morte (com minúsculo), a greve e as cartas com papel violeta

 

As intermitências da morte, de José Saramago, é o tipo de livro que tem tudo para encher o saco do leitor. As frases são bem longas e os parágrafos, verdadeiros tijolaços. Mas quando bate os olhos no conteúdo a narrativa de Saramago envolve. Tem formato de fábula, mas nada garante que é uma fábula. Eis que a morte deflagra greve no país em questão. Ninguém mais morreu e um grande problema foi causado até mesmo para a igreja católica, pois sem morte não tem religião.

Foram meses sem uma só morte. Os desdobramentos não foram dos mais alvissareiros. Surgiu a maphia que assumiu a tarefa de levar os mais moribundos além da fronteira para serem enterrados, mesmo que vivos. Passados alguns meses, a morte (com minúsculo como ela fazia questão de enfatizar) decidiu que as mortes seriam anunciadas. Cada condenado recebia uma cartinha em papel violeta estipulando o prazo de uma semana para que a família se preparasse.

Até que a carta violeta retornou a cada envio a um músico, violoncelista. A morte foi atrás dele disfarçada de uma linda mulher. Saramago refletiu sobre a morte com bom humor por mais escatológico que o assunto possa parecer.

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Bola Teixeira

Bola Teixeira

Jornalista, amante de blues e do bom e velho rock and roll, sediado em Balneário Camboriú - SC, mas com os olhos e ouvidos abertos para os acontecimentos do mundo.

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