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A história se repete

A história se repete

0 Comentários 🕔30.ago 2018

O cenário de "ontem" e a atitude, dita punk, dos jovens

 

Ganhei de presente uma preciosidade. Trata-se do livro Dance of Days, duas décadas de punk na capital dos EUA, assinado por dois Mark, o Anderson e o Jenkings. Aborda um movimento que eu era completamente agnóstico, o movimento punk de Washington. E – como é bom ler! – fiquei sabendo de muitas coisas que nem imaginava e constatei ao final da leitura que a mesa tá posta hoje neste mundo em crise, só que os personagens que sentam à mesa já não são os mesmos.

Nos idos dos anos 70, segunda metade dos anos 70, a juventude de todas as classes buscavam uma nova linguagem ao corrompido rock clássico cujos ídolos de até então enriqueceram e viraram estrelas. Surgiu então o punk rock colocado em prática quase que exclusivamente por menores de idade. O sentimento era mais ou menos ao episódio vivido por um dono de um jornal underground que foi entrevistar Janis Joplin e ela, com desdém, respondeu: “Bom, querido, eu tenho falado com a Time e a Newsweek. Por que deveria dar uma entrevista para uma velha revistinha hippie?”. A entrega dos Stones ao “sistema” nos anos 70 provocou Ian Hunter, do Mott the Hoople a escrever a canção It´s apathy for the devil tirando a maior onda do famoso Sympathy.

E foram surgindo as bandinhas, quase todas compostas de menores. Tanto que as festas – shows – tinham que ser aberto para menores. A condição era tão levada a sério que criou-se o símbolo do “X” para identificar quem era de menor. Os preços dos ingressos também eram sagrados. Ou seja, muito baratos. Para não me alongar aqui e revelar o conteúdo há de se destacar o que se chamou de straight edge pelos garotos do Minor Threat, uma expressão de toda a caretice reinante (no drogs, no drinks, no fuck), com talvez o mais importante dos personagens do harDCore de Washington, Ian Mackaye.

Surgiram as bandas Bad Brains (baseada nos preceitos de Napoleon Hill, aquele mesmo do Master Mind) que fez muito sucesso apesar de toda doidura de seu vocal HR, Henry Rollins, o Fugazi (da costela do Minor Threat) e muitas outras mais que surgiam e acabavam quando os garotos iam para a universidade. “Os caras do Fugazi vivem como monges. Fazem turnês constantemente, vivem em casas comunitárias. Pessoas normais não vivem desse jeito”, foi o comentário de um zine a respeito da “CDFice” dos rapazes do Fugazi. Também o movimento Riot Grrrl, meio que comandada pela meninas do Bikini Kill, onde se discutia todas as demandas das mulheres na época (aborto, violência contra mulher, desigualdade, enfim…), talvez com muito mais amplitude do que nos dias de hoje.

Um livro com um pouco mais de 500 páginas seu auge é quando Mark Andersen assinada o capítulo Repercussões?Reignição. “Olhe ao seu redor, há fragmentos do punk espalhados por toda paisagem cultural”, escreve ele olhando ao seu redor nos na primeira década dos anos 2000. Só como exemplo: Shepard Fairey foi autor do cartaz de um dos protestos (que eram comuns em Washington) do que chamavam Positive Force (o braço político do movimento). Pois Fairey assinou a icônica imagem de Obama em sua primeira campanha eleitoral, aquela do we can.

Concluindo, muita gente “se vendeu ao sistema”. Dos que passaram incólumes pelo furacão da moda foram Bikini Kill e Fugazi. E nos dias de hoje a paisagem está aí posta para surgir novos movimentos tais como o punk de Washington. Só que os tempos são outros. Nossos jovens não passam de uns bostinhas alienados pela telinha do celular. E assim caminha a humanidade..

 

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Bola Teixeira

Bola Teixeira

Jornalista, amante de blues e do bom e velho rock and roll, sediado em Balneário Camboriú - SC, mas com os olhos e ouvidos abertos para os acontecimentos do mundo.

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