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Águas de Oxalá, por Andrea Fiamenghi

Águas de Oxalá, por Andrea Fiamenghi

0 Comentários 🕔04.dez 2018

Ensaio está na coletiva Olhares Revelados no Museu Afro Brasil, em São Paulo

 

A Cerimônia Águas de Oxalá representa um ritual anual de purificação e renovação realizado durante o mês de outubro. “Considerado um rito de passagem, fim e começo de um novo tempo, tem como referência a água, ciclo de uma nova vida”, comenta Andrea Fiamenghi, fotógrafa autora do ensaio que está na na Exposição coletiva Olhares Revelados em cartaz no Museu Afro Brasil, em São Paulo, até 17 de janeiro.

“As Festas, festas públicas, que ocorrem durante todo o ano, pois são várias, seguem um calendário religioso do Terreiro, como exemplo a Procissão de Iamassê, quando sempre a família do Aganju faz louvação aos ancestrais e Orixás”, complementa a fotógrafa cujo projeto teve início em 2003, no candomblé Ilê Opó Aganju, e já conta com um acervo de cerca de 15 mil imagens. Esta documentação somente pode acontecer sob permissão dos Orixás e com autorização do babalorixá, e retrata desde cenas ritualísticas das cerimônias até as festas, além de fotografias que sobrepõem movimentos dos corpos em imagens da natureza como folhas e flores, criando uma nova leitura poética sobre o trabalho documental. Para a artista, “num resumo, diria que os Orixás me aproximam da força da vida, e fotografá-los me faz estar viva e cheia de Axé”.

Andrea acredita que sua arte representa um objeto de comunicação com o mundo, uma conexão com os espectadores, no sentido de buscar a mobilização para o inesperado, para o poético, para uma “realidade da fantasia”, não algo meramente estético. “Quero que minha fotografia seja o inesperado, o subjetivo, o não óbvio, a surpresa de enxergar em outros paramentos. Desconstruir uma fotografia lógica. A possibilidade de conseguir abstrair do mundo prático e ir para um mundo sensível, sem muitas explicações, onde as coisas falem por si só. Fotografar para mim é como recurso que utilizo ou para documentar algo importante ou para mobilizar o outro com a minha maneira de olhar o mundo. Descobri através da minha fotografia que as pessoas enxergam o mundo de formas completamente diferentes. Como cada um de nós enxerga? Através da sua sensibilidade e repertório de vida. Uma série de componentes genéticos, históricos, ancestrais, culturais. A fotografia possibilita mostrar a minha forma sensível de ver o mundo, as pessoas”, conclui Andre que Nasceu em São Paulo, vive na Bahia desde os quatro anos e tem no seu trabalho fortes influências dos fotógrafos Pierre Verger e de Mario Cravo Neto.

Seu ensaio está na coletiva “Olhares Revelados”, com curadoria de Silvio Pinhatti, no Museu Afro Brasil. A artista apresenta 15 fotografias da série realizada a convite do babalorixá Pai Balbino de Paula, na qual documenta a Cerimônia Águas de Oxalá e as festas do calendário religioso do Terreiro em imagens que exibem as danças frenéticas dos orixás, o balanço de suas vestimentas, suas manifestações visuais, culturais e simbólicas, além de contar um pouco da história dos descendentes africanos no Brasil. A coletiva ainda exibe trabalhos de Eidi Feldon, Gil Reno, Lucila de Ávila Castilho, Paulo Behar, Pedro Sampaio e Tuca Reinés.

Serviço

Período: 9 de dezembro de 2018 a 17 de janeiro de 2019
Local: Museu Afro Brasil – http://www.museuafrobrasil.org.br
Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, Parque Ibirapuera – Portão 10
Horários: Terça-feira a domingo, das 10 às 17h (permanência até às 18h)
Ingresso: R$ 6,00 (meia entrada para aposentados e estudantes) | Grátis aos sábados
Número de obras: 15
Técnica: Fotografia

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Bola Teixeira

Bola Teixeira

Jornalista, amante de blues e do bom e velho rock and roll, sediado em Balneário Camboriú - SC, mas com os olhos e ouvidos abertos para os acontecimentos do mundo.

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