

Está delicioso acompanhar o padel profissional desde que o A1 foi descontinuado. Sem a liga de Fabrice Pastor, os jogadores ligados ao A1 passaram a ter vida atuando nos torneios FIP espalhados pelo mundo e no próprio Premier Padel.
Acabou aquela divisão e a dúvida sobre se os atletas do A1 teriam condições de competir em outras ligas. Hoje estão vários deles participando de etapas FIP, somando pontos na busca de um espaço na chave principal das etapas do Premier. E para quem gosta de acompanhar o padel de alta performance está sendo muito bom.
Exceto as quatro principais duplas melhor ranqueadas, o restante dos jogadores promove uma dança de parceiragem que oferece ao espectador perspectivas diferentes de jogos e jogadas. Algumas surpresas, também. Um jogo de padel bem jogado é imprevisível. Todo final de semana há torneios. Neste que passou Max Sanches Blasco (na foto com sua Compass para o mundo), jogador de primeira gaveta nos tempos de A1 venceu em Portugal no clube de Cristiano Ronaldo. Assim como Max, outros nomes buscam seus espaços no novo modelo como Tolito Aguirre, Max Arce, Gonzalo Alfonso, Dal Bianco, Loco Torre, Juanni De Pascual, além dos juvenis que estouram idade e querem seguir carreira no padel mundial.
Por outro lado, a aura elitista que se tá dando ao padel faz muito mais mal do que bem. A ideia do padel ser coisa de rico (e que muita gente faz questão de exaltar) só serve mesmo para espantar potenciais praticantes que gostariam de jogar por ser uma modalidade cativante. Jogar padel é caro, competir então fica mais caro ainda para os amadores. Pode não fazer falta no orçamento do mês para muita gente, mas com toda a certeza o boom de torneios acaba encabulando jogadores que não tem como bancar quatro torneios por mês a um preço médio de 150 reais a inscrição mais despesas de traslado, hotel e refeição. No curto prazo pode não influenciar, mas com o tempo irá pesar. É uma escolha de gastar dinheiro com quadra no cotidiano ou sair de sua cidade para competir, afinal o padel é considerado a modalidade da família, imagina só bancar o cotidiano seu, da esposa e do ou dos filhos. Só mesmo para quem o dinheiro não faz nenhuma falta.
O exemplo de ampliar o universo do padel vem de Rinópolis, interior de São Paulo, onde o a modalidade começou a partir de uma ação social formando jovens cidadãos, muito mais do que atletas. De tão exitoso o projeto, ele provocou a iniciativa da cidade contar com quadras públicas recém-inauguradas, a exemplo de Curitiba.
Outra questão que chama a atenção é a bolha. Recentemente foi noticiado o caso da Suécia cuja a situação é tratada como colapso. Não por falta de jogadores, mas pelo modelo de negócios. Alguns pontos foram levantados e que chamam a atenção:
Por fim: FOCARAM EM CONSTRUIR QUADRAS E NÃO EM CONSTRUIR COMUNIDADES.
Eu que jogo padel desde que foi implantado em BC pelo Edgardo Duffort em 1990 (a modalidade é de 1969 criada no México por Enrique Corcuera) com seu Santa Fé Paddle passei por uma bolha quando os clubes encolheram na cidade e só restaram dois, o Marbella e o Cuco.
Mas continuo amando e jogando. Como não sou rico e a família toda joga, sempre calculando a frequência nas quadras. E também continuo com meu senso crítico ao modelo adotado no Brasil, o de cada por si e Deus por todos. Assisto quase todos os torneios que estão no Youtube, aturo as narrações paroquiais e me irrito como a confederação trata o padel sem qualquer compromisso com a transparência e a evolução da modalidade. Mas que para seus diretores deve ser bom, afinal nunca querem largar o osso para novas ideias e pessoas que querem o desenvolvimento do padel.