

Eu já sabia da proposta de alteração na Lei Orgânica na semana passada, mas foi na tarde de sábado que meu whats ferveu quando recebi o teor do projeto enviado a Câmara de Vereadores, ou seja, amarrar o apetite privatista da companhia de água a dois filtros: aprovação dos vereadores e do povo, através de plebiscito. A polêmica está armada. Não aconteceria se fosse aprovado algo como a foto de abertura, sem rodeios, objetivamente proibindo a privatização.
Assim que recebi o link com o teor da proposta respondi, é, eles querem dificultar uma possível privatização por conta das manobras dos bastidores ocorridas na gestão de Fabrício Oliveira. A resposta de quem me enviou foi tácita: “Entendi o contrário. Penso que se ninguém quer, nem toca no assunto, a partir do momento em que se diz ‘vamos evitar’, alguém está pensando no contrário”. Tem lógica, tem sentido.
Gostei da brincadeira e corri em busca de fontes. Recebi respostas do tipo se for “51% público eu aprovo” (uia) de uma das fontes e a defesa do plebiscito como fonte garantidora da empresa pública da outra fonte. Argumentei que o plebiscito é vulnerável, assim como é, também, a aprovação pelos vereadores, cuja maioria, invariavelmente, está a mercê da vontade de quem está no poder. Levei esporro e reclamei, respeite o contraditório. Mudamos de assunto.
Enquanto isso, recebo um link, abro, é o vereador Mazinho Miranda fazendo mistério (com musiquinha de suspense) de um vídeo que iria lançar no Insta no final da tarde, com contagem regressiva e tudo mais. Quem enviou perguntou o que seria. Respondi que o assunto deve ser a Emasa. Bingo, no horário marcado Mazinho Miranda tratou o assunto como uma bomba. Por ironia, ele acusa o governo de querer privatizar. O vereador foi cargo de confiança do governo Fabrício.
Também o vereador Neifer fez vídeo, mas nem cheguei a ver o que disse. Imagino que favorável a privatização. Deve fazer campanha a favor no plebiscito, afinal é um Novo genuíno, defensor do Estado mínimo. Samir correu para defender a iniciativa do governo. Imagina se não iria. Com a empresa pública sua influência lá dentro é inabalável, tanto que mudou de posicionamento político assim que Juliana tomou posse. Chamaram o Auri para se pronunciar em defesa da iniciativa do governo. Ele gravou a noite, acho que direto de sua casa de praia onde deveria estar descansando. O Ed Jr., diretor geral da Fundação Cultural (veja só), também saiu em defesa do governo.
Foi um sábado barulhento no meu whats. Eu me posiciono contrário a qualquer porteira, prefiro o muro. Privatizar serviços essenciais é um crime, na minha opinião, sem contar dos meandros sigilosos que envolvem uma privatização entre os políticos privatistas e as empresas que passam a encarar os serviços básicos como lógica de mercado. Portanto, se querem de fato blindar a Emasa, apresentem um substitutivo igual ao projeto arquivado em 2017.