

Em entrevista concedida a Jovem Pan, o comandante da PM em Balneário Camboriú, Tenente-Coronel Rafael Vicente, afirmou que o gabinete da prefeita Juliana Pavan é formado por “especialistas em segurança que fazem leis no achismo” e que encaminhará questões de segurança diretamente ao Ministério Público, “porque conversa com o gabinete é quase impossível”.
O comandante vem defendendo o fechamento das lojas de conveniência a meia noite, porque, segundo ele, vai diminuir em 80% a criminalidade da cidade, sem, no entanto, apresentar qualquer indicador que aponte sua afirmação. Neste final de semana, ele tomou a iniciativa de realizar uma enquete em alguns grupos de whats da cidade afim de respaldá-lo.
Nos dois grupos que acompanho, a população reagiu favorável a proposta do tenente-coronel que até publicou um IA (foto abertura da matéria). Entretanto, nesta segunda-feira o Página 3 também lançou uma enquete semelhante, cujo resultado, até o momento desta matéria, apontava 60% contrários a proposta.
Contatado pelo Publixer, o chefe de gabinete, Leandro Índio da Silva, reagiu:
“A gente está lidando com uma autoridade militar. Entendo que há necessidade de um protocolo, um rito, mas não existindo por parte dele, nós prosseguiremos com a mesma postura de sempre. Refuto veementemente quando fala em gabinete, gabinete da prefeita, que sempre o atendeu mesmo quando não agendou. Todas as ideias e projetos de lei nesta área foram encaminhadas por ele e que, por decisão da prefeita, encaminhadas para a Câmara mesmo sob forte questionamento dos vereadores de oposição que hoje idolatram o coronel, e está tudo certo. Não sei se é um desentendimento com o Coronel Araújo Gomes que é secretário de segurança, talvez ele se refira ao gabinete da secretaria de segurança, mas o coronel Araújo precisa ser respeitado, porque não é uma pessoa qualquer, pela sua postura e carreira, já foi comandante geral da polícia e já ocupou cargo equivalente a secretário de estado.
É um tipo de debate que não acrescenta, primeiro porque o gabinete não toma decisão em achismo. A prefeita Juliana é uma prefeita assessorada pelos secretários e pelo corpo técnico do município. Segundo, o tenente coronel sempre foi bem tratado por nós. Se for falar a verdade, ele é que está me devendo retorno de agenda solicitada há mais de um mês. Dentro da tese que ele está defendendo, tudo certo, cada um defende aquilo que acredita, que tem convicção, mas para haver o debate deveria apresentar as estatísticas que confirmem essa afirmação, já que ele afirma que vivemos de achismo. Se 80% por cento dos crimes seriam resolvidos na cidade, então ele precisa apresentar qual a linha de pesquisa, quais são os dados e os indicadores, senão parece um debate de bodega.
Eu sei a dimensão do meu cargo, sei da responsabilidade que tenho. Vou trata-lo sempre com o respeito que merece, ele é uma autoridade constituída. Ao mesmo tempo a prefeita Juliana merece respeito, os secretários merecem respeito, o mesmo respeito que a gente sempre concedeu a ele”.
Em conversas no whats com pessoas que vivem a política da cidade, recebi alguns comentários que remetem a outros tempos da relação política entre PM e Executivo, e que, por muito menos, comandantes do batalhão foram transferidos para comandos em outras cidades. Uma das reações foi enfática: “Acho que não demora para ele dançar, ser transferido”, afirmou um não governista que orbita na política e a acompanha há muitos anos.