

Como as democracias morrem, de autoria dos cientistas políticos Steven Levistsky e Daniel Ziblatt, é um livro de 2018, mesmo ano que foi lançado Medo, de Bob Woodward, todo ele dedicado ao primeiro governo de Donald Trump. Quem lê Medo, referência a uma frase de Trump: “o verdadeiro poder é o medo”, mergulha com mais gosto no conteúdo de Como as democracias morrem.
Os dois cientistas usam como base a democracia americana para analisar e comparar regimes de outros países. O mais interessante da análise básica é de que a democracia secular americana sempre foi baseada em regras não escritas, na tolerância do exercer a política entre adversários e não inimigos, cenário que historicamente vem sendo vilipendiado.
É uma aula em defesa dos regimes democráticos. Relata os enfrentamentos experimentados por diferentes países, como o Chile pós Pinochet, por exemplo, para se garantir vida longa as instituições democráticas. O histórico de outsiders que tentaram romper com o regime nos EUA e aqueles que conseguiram em diferentes países são detalhados em cada uma de suas realidades. Como básico, algo que nos dias de hoje é impensável: os dois mandatos do presidente nos EUA foi uma regra não escrita até que Franklin D. Roosevelt, em 1932, quis romper e, a partir de então, passou a ser regra escrita.
O interessante é que o “nosso” Jair Bolsonaro e a reeleição de Trump não entraram na roda da política comparativa dos dois cientistas políticos. Acredito que, se analisadas a gestão de Bolsonaro e Trump, mais elementos temerosos do como morrem as democracias seria enriquecida. Mas há um segundo título dos dois lançado em 2023: Como Salvar a Democracia, mas este ainda tenho que ler.